Vacina para a tuberculose pode evitar infecções e mortes pela Covid-19, diz pesquisa

Por Jovem Pan em 31/07/2020 às 20:51:03

Um estudo conduzido pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e publicado nesta sexta-feira, 31, na revista Science Advances indica que os países onde a vacina contra as formas graves da tuberculose é obrigatória apresentaram taxas mais baixas de infecção e morte pela Covid-19 durante o primeiro mês da pandemia em suas regiões. No Brasil, a imunização contra o bacilo Calmette-Guérin (BCG) é obrigatória, e aplicada em dose única em bebês na maternidade, ou ainda no primeiro mês de vida.

As pesquisas foram feitas nos EUA, onde a vacina é opcional. De acordo com o estudo, se fosse implementada, somente 460 pessoas teriam morrido pela Covid-19 no País no dia 29 de março de 2020 — data em que foram registrados 2.467 óbitos. Os cientistas também consideraram outros fatores que poderiam interferir na quantidade de mortes, comoa disponibilidade de testes para coronavírus, média de idade dos pacientes, densidade populacional e sua taxa de migração.

Outros estudos

Uma pesquisa semelhante foi divulgada em junho, feita pelo Instituto de Tecnologia de Nova York, também nos Estados Unidos. Segundo o estudo, países que incluíram esse imunizante há décadas nos seus programas de vacinação populacionais seriam menos afetados pelo coronavírus, como o Japão e o Irã, que teve mortalidade elevada entre os idosos, que nasceram antes da obrigatoriedade da vacina no país. Já a Itália e os Estados Unidos, que apresentaram números elevados de mortes, não obrigam seus habitantes a tomar a imunização. No entanto, esta pesquisa foi criticada em comunicado feito pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) e outras duas entidades.

De acordo com os pesquisadores, o estudo de Nova York "tem falhas metodológicas significativas". Portanto, segundo eles, não é possível recomendar a vacinação com a BCG para outras doenças. Além disso, ressaltam que há "contraindicação em muitas formas de imunodeficiência primaria e secundária, com risco de graves efeitos adversos".

Desde o início da pandemia, se fala na possibilidade da vacina contra a tuberculose, desenvolvida nos anos 1990, proteger contra o coronavírus. Estudos estão sendo conduzidos na Holanda (Nijmegen"s Radboud University and
Utrecht University), Grécia (University of Athens), Austrália (University of Melbourne) e Reino Unido (University of Exeter) para avaliar se a vacinação com o BCG poderia aumentar resistência a infecções em geral, não especificamente à Covid-19, em profissionais de saúde e idosos. Na Austrália, os testes estão na fase 3.

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