Milícias digitais são usadas para 'grande lavagem de dinheiro', diz Alexandre de Moraes

Por G1 em 11/09/2020 às 17:17:23
Relator de inquérito sobre fake news, ministro do STF afirma diz que dinheiro retorna 'inclusive via doa√ß√Ķes eleitorais'. Moraes deu entrevista em congresso de jornalismo investigativo. O ministro do STF Alexandre de Moraes, em imagem de 2019

Gabriela Biló/Estad√£o Conteúdo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta sexta-feira (11) n√£o ter "nenhuma dúvida" de que as chamadas milícias digitais têm sido usadas "para uma grande lavagem de dinheiro".

A afirma√ß√£o foi feita em entrevista à jornalista Natuza Nery, da GloboNews, durante o 15¬ļ Congresso Internacional da Associa√ß√£o Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

"N√£o tem nenhuma dúvida, e obviamente a Polícia Federal vem fazendo esse cruzamento, de que as redes essas milícias digitais que est√£o sendo usadas para uma grande lavagem de dinheiro", declarou.

"O que ocorre é que a partir dessa lavagem de dinheiro, e como ocorreu j√° em outros locais do mundo, você acaba limpando o dinheiro, e esse dinheiro pode eventualmente retornar via doa√ß√Ķes, inclusive via doa√ß√Ķes eleitorais. É muito mais grave do que as pessoas achavam e continuam achando", prosseguiu Moraes.

O ministro é relator do inquérito das fake news, que investiga amea√ßas a ministros do Supremo. Nesse inquérito, Moraes j√° determinou a√ß√Ķes como o bloqueio de redes sociais de apoiadores do governo Jair Bolsonaro suspeitos de espalhar notícias falsas e fazer amea√ßas a autoridades.

"Essa lavagem de dinheiro acaba também permitindo que se fa√ßa um exército midi√°tico que pode influenciar muito negativamente em rela√ß√£o ao próprio equilíbrio democr√°tico", completou.

Moraes afirmou que h√° investiga√ß√Ķes em andamento sobre possível lavagem de dinheiro em lives realizadas por pessoas "autoidentificadas" como jornalistas, ou por meio de pedidos de doa√ß√Ķes em valores específicos.

"H√° muito dinheiro envolvido, pessoas ganhando dinheiro com isso. A surpresa maior foi verificar o nível alto de profissionalismo, é um grande risco, à honra das pessoas, às institui√ß√Ķes e um grande risco às elei√ß√Ķes."

Segundo o ministro, as empresas de mídia n√£o s√£o utilizadas para esse fim porque têm sua parcela de responsabilidade sobre o conteúdo divulgado, diferentemente das redes sociais.

"Elas deveriam ser classificadas da mesma forma que as empresas de mídia. Quando elas querem interferir em conteúdo, daí tiram em milhares de postagens, daí fica subjetivo."

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